Neste domingo (17) durante a Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável a Igreja reforçou a importância do evento diante da crise ambiental que o mundo passa.
No evento, representando a Santa Sé, o Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer (Arcebispo de São Paulo) e o Observador Permanente da Santa Sé na ONU em Nova Iorque, Dom Francis Chullickatt. O Secretário-Geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, durante a coletiva de imprensa para a apresentação dos representantes pronunciou o clamor de toda a Igreja Católica para este evento.
“Trata-se de nós, como Igreja Católica, marcarmos uma presença na Rio+20, colocarmos o pensamento da Igreja Católica quanto ao cuidado do meio ambiente, da natureza, sermos uma presença também com outras entidades, outras pastorais, com as pastorais da sociais da Igreja Católica, para assim darmos também visibilidade a questões fundamentais não apenas econômicas em relação ao meio ambiente, mas principalmente da relação com o meio ambiente”.
O Cardeal Dom Odilo concedeu entrevista ao Portal A12.com, um dia antes do início do evento, e reforçou a participação da Igreja na conferência como uma oportunidade para validar valores e critérios essenciais.
“É hora de encarar a questão ambiental não simplesmente como uma questão econômica, uma questão ideológica, mas uma questão ética, uma questão que diz profundamente à nossa convivência sustentável. Por isso, o trato da questão econômica relativa ao meio ambiente deve estar submetido a sérios critérios que todos devemos observar. Critérios de solidariedade, critérios de justiça e de respeito, em relação ao nosso próximo, os que hoje convivem conosco, para que haja para todos e também os futuros, os que virão depois de nós, para que ainda haja para eles também”.
Para o Cardeal a solução da crise ambiental não acontece apenas com esta conferência, porque há muitos interesses envolvidos.
“Estão em jogo muitos interesses, muitas questões, decisões que afetam claramente a vida dos povos, de modo especial, a vida dos países mais ricos e mais desenvolvidos, então, nós esperamos sim que a conferência possa ajudar a caminhar na boa direção de um cuidado maior pela natureza, a sustentabilidade da vida econômica, mas ao mesmo tempo a sustentabilidade do ambiente. Que nossa vontade de progresso econômico não acabe por destruir o ambiente, a natureza e, por outro lado, que nesta busca de sustentabilidade se tenha presente a ‘ecologia humana’, para usar uma expressão do Papa João Paulo II e que o Papa Bento XVI novamente usou na Encíclica ‘Cáritas in Veritate’, que o ser humano esteja no centro das preocupações”, esclareceu.
Sobre a consciência ambiental o Cardeal lembrou ainda que a população está mais atenta e se posiciona contra toda forma de destruição dos bens naturais, mas ainda é preciso passar para um nível de ação que considere a criação de leis efetivas.
“Há uma consciência que vai se tornando sempre mais atenta em relação aos abusos, em relação à natureza, mais crítica, mais exigente contra toda forma de depredação e de colocar em risco os bens da natureza, evidentemente, está acontecendo. Mas isso precisa passar de um nível ideal de ação intelectual, reivindicatória, para legislações concretas e uma educação concreta no dia-a-dia, de modo que as pessoas coloquem isso no seu ritmo de vida”.
Documento da Santa Sé para a Rio+20
A Santa Sé divulgou o documento ‘Por uma aliança entre homem e meio ambiente’, que contém recomendações aos participantes da conferência e propõe reflexões sobre aspectos técnicos e sociais que tem impacto direto sobre o planeta e a humanidade. Cita o princípio da subsidiariedade, o desenvolvimento humano integral e a economia verde.
Acesse aqui o documento disponível em inglês no site do Vaticano.
